Eu ando com uma vontade absurda de fugir de casa. De cortar meu cabelo. De pintar a unha cada dia de uma cor diferente. Eu ando com uma solidão que não me larga nem quando saio com minhas melhores amigas. Eu ando com uma sensação que faço tudo errado nessa vida e que simplesmente não sei lidar com as escolhas dos outros. Ou que talvez eu só não saiba expor meus sentimentos.
Eu passo por aí uma imagem de mim que não é nada da realidade. Não sou tão bem resolvida como pareço, nem tão independente. Também não sei lidar com meus medos. Eu definitivamente não dou meu telefone certo pros bons moços que conheço por aí. Tenho medo de bons moços, tenho medo deles porque eles me fazem gostar de tê-los por perto. Não porque eu tenho medo de me apaixonar por eles. Eu não me apaixono fácil assim, não vou querer namorar em 10 encontros, mas tenho um medo gigante de me decepcionar com uma pessoa que pus na minha vida por livre e espontânea vontade.
Eu não deveria ter dado meu telefone pra você na balada. Não confio em garotos das baladas... mas por motivos desconhecidos confiei em você. Uma, duas, dez mil vezes. Confiaria em você até se você me falasse que nunca, jamais ficou aquela amiga dos seus amigos. Mesmo sabendo que já ficou várias vezes. E tudo isso porque encontro qualidades em você que lembram a mim mesma. Nos acho parecidos, história de vida parecidas. Não estranharia se tivessemos uns mil conhecidos e familiares em comum. Tá... eu sou um pouquinho superdotada e você nunca gostou lá dessas coisas de estudar. Mas temos os mesmos valores. E isso me importa.
Me importa porque sou uma pessoa de personalidade forte e gênio difícil. E porque tenho um cadinho de dificuldade em achar que vale a pena colocar as pessoas na minha vida. Sou um pouquinho (eufemismo da minha parte) exigente na hora de fazer amizades. E não esbarro em alguém que eu efetivamente diga que vale a pena fazer parte do meu mundo como se eu esbarrasse numa pedra, ou num moleque, ou num cafajeste qualquer.
Não me sinto preparada pra relacionamentos. Tenho tantos questionamentos que preciso responder antes. Tenho uma pendência na justiça que me faz chorar todas as noites. Não preciso chorar e nem me preocupar em saber se meu namorado me ama ou não.Mas não te quero fora da minha vida. Não quero perder esse sentimento que criei e que longe de ser amor tá mais pra um gostar irrestrito. Não quero perder o colo que conquistei e que me acalmava quando tava tudo muito ruim.
Sou uma pessoa de amores descartáveis. Gosto deles. Eles não me cobram uma conta alta no final da noite, não se apaixonam por mim, nem querem que eu seja uma pessoa perfeita. Eles simplesmente estão lá. Vez ou outra encontramos. Me mandam mensagem de vez em quando e nessa hora apagam minha carência por uma ou duas semanas.
Mas você pode me mandar mil mensagens que não apaga minha carência. Pode inventar mil mentiras pra justificar que não veio me ver. E mesmo assim você vai fazer falta no meu mundo. Não sei se pareço louca, ansiosa ou desesperada. Não é isso. Eu só não sei me despedir de alguém que meu coração já avisou que não é despedível.
Tenho problemas demais pra ficar triste por conta disso, então será que dá simplesmente pra fazermos um trato: você não sai da minha vida e eu não saio da sua. Você me dá colo quando eu precisar e me faz visitas noturnas quando eu estiver doente. Mas só isso. Sem beijos em troca, sem que exista um preço físico a se pagar pelo que deveria ser gratuito. E eu prometo que te ouço e te apoio todos os dias que estiver estressado com uma das suas tantas viagens, ou não quiser mais peões ou tiver uma discussão chata com seu pai. Eu prometo que podemos sair e beber até enfiar os pés pelas mãos. Podemos rir até doer a boca.
Eu continuo com meus amores descartáveis e fáceis e você fica com sua amiga. Ela parece ser tão gente boa e está apaixonada, muito mais que eu. Ela precisa do seu corpo. Eu preciso da sua alma. Então dá pra esquecermos o que aconteceu e ficarmos simplesmente amigos?